quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Viajando de trem: Paris X Holanda

Viajar de trem pela Europa é a melhor pedida. Nem há como definir a gama de possibilidades nessa extensa malha ferroviária (próxima a 250 mil quilômetros) que interliga de forma confortável, rápida e segura, tão distintos países.

Desde que aqui chegamos, Theo ficou encantado com os trens. Ele havia andado de trem antes de completar 2 anos, durante uma viagem pela Alemanha, mas obviamente não se recordava. Logo decidimos incluir uma viagem de trem nesse nosso ano aqui em Paris.

E o embrião dessa viagem começou a tomar forma em abril, quando uma querida amiga de faculdade, que mora atualmente em Haia, na Holanda, veio nos visitar com sua filha de 7 anos. Theo e Luísa brincaram à beça, se deram super bem (o que já contei aqui).

Já ali compramos as passagens de trem para a Holanda, país que nenhum de nós conhecia. São muitas as ofertas de bilhetes e os preços são progressivos - mais baratos à medida que a compra é feita com a maior antecedência possível, por isso nos apressamos tanto em garantir os nossos.

Logo após a compra, Theo já começou a perguntar quando seria a viagem. Explicávamos que seria nas férias... E, quando as férias chegaram, ele passou a perguntar da viagem todo santo dia. Tive que fazer um calendário para irmos riscando, a cada dia, um a menos para a chegada da grande viagem! E ela finalmente chegou:


Theo ficou super animado e curioso com tudo. A enorme estação (Gare du Nord - uma das mais movimentadas da Europa), os trens e todos os detalhes que já havíamos visto em alguns livros que lemos sobre trens durante as férias.

O dia estava lindo e em cerca de 2h30min já estávamos em Rotterdam/Holanda, após ter passado pela Bélgica. Afinal, o TGV (modelo do trem, denominado 'train à grande vitesse') chega a 320km/h.


Em todo o percurso, na entrada e na chegada, apenas precisamos de bilhetes válidos. Em nenhum momento houve necessidade sequer de mostrar identidade ou passaporte. A integração e a desburocratização são de fato notáveis.

E assim estávamos prontos para nosso fim de semana holandês...

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Verão também rima com liquidação: indo às compras em Paris

Paris é conhecida mundialmente como uma das capitais do consumo, especialmente de bens de luxo. Como sobreviver nesse ambiente tão sedutor com orçamento restrito?

Bem... De fato, caminhando pelos bairros chiques da Rive Gauche, o melhor é fechar os olhos. As boutiques são mais que atraentes e você fica hipnotizado com aqueles itens inúteis, que dão o real significado da palavra 'bibelot'. Inegável que os lojistas prezam pela beleza e pela especificidade - chás, cremes, biscoitos... tudo tratado como se jóias fossem. Padarias e chocolaterias artesanais são meu ponto fraco. Outro dia nos deparamos com uma loja especializada em pistache. Dá pra imaginar?


Mas nós não fazemos parte desse mundo... Morando aqui ao longo desse ano, impossível não ficar convertendo os preços para nossa moeda tão desvalorizada no momento... Então, além daquelas pesquisas de preços básicas, focamos nas épocas de liquidação: os famosos soldes!

Tudo o que conhecemos de liquidação no Brasil pode ser esquecido. E isso, felizmente, aprendemos já na primeira vez que viemos, em 2011. Aqui os descontos são levados a sério! São dois períodos oficiais de 6 semanas durante o ano: um no verão e outro no inverno. Além de altos, os descontos são progressivos. A cada semana, os preços diminuem. Até virarem verdadeiras pechinchas. E tudo vira um jogo de paciência e estratégia: você espera o preço cair, mas tem que fica de olho porque vai acabando rápido.

Desde que chegamos não havia  comprado praticamente nada. Só pensava que chegaria a época da liquidação. E ela chegou no dia 27 de junho: les soldes d'été. Separei uma tarde para ir a um grande shopping (fui ao Italie Deux, que fica perto de casa e onde vi que poderia encontrar as minhas lojas preferidas) e nesse dia fui à forra. Em outras ocasiões posteriores, eventualmente comprei alguma coisinha nas lojas perto de casa. E assim fui nos abastecendo... Com roupas de verão que eu estava carente e até com roupas para o frio que não tarda a vir. Cheguei a conseguir descontos de 90% em determinados itens. Mas sempre mantendo a cabeça no lugar, kkkk.

Sem dúvida minha esperança valeu à pena e eu fiquei bem satisfeita com as estratégias traçadas!

Então, se quiserem planejar uns dias em Paris que incluam turismo e compras, sejam estrategistas e vejam a época de liquidação. Já vou avisando: a próxima liquidação, de inverno, começa no dia 09 de janeiro de 2019.

domingo, 12 de agosto de 2018

À la piscine

Desde que aqui chegamos, em uma de nossas caminhadas pelo bairro, nos deparamos com duas grandes instalações públicas que chamaram nossa atenção  - um ginásio esportivo e uma piscina. Em ambos são oferecidas, pela prefeitura, atividades esportivas e recreativas para todas as idades.

Confesso que nunca fui muito fã de piscina, mas com a chegada do verão e das férias, passei  a considerar essa ideia. Algumas conversas no parquinho, com outros pais, também ajudaram no processo, pois ajudaram a eliminar meus receios. Em primeiro lugar, imaginava que fosse muito cheia, e depois ficava com receio quanto à sua limpeza...

Quando fomos pela primeira vez, fiquei pra lá de impressionada com a estrutura e a organização e vi que eu estava completamente errada na minha avaliação prévia.

Além das aulas de natação que são oferecidas, há horários para livre acesso, que, durante o verão, são estendidos. 

A prefeitura coloca à disposição dos parisienses (pasmem!) quase 40 piscinas (https://www.paris.fr/piscines) nessas condições.

A que visitamos, a Jean Boiteux, fica a cerca de 15 minutos a pé daqui de casa e, na realidade, é uma estrutura composta por duas piscinas - uma de 25m X 15m e outra menor, de 15m X 6m.

Para entrar, além de estar usando roupa de banho, é obrigatório o uso de toca de cabelo. Antes mesmo de entrar no vestiário, temos que tomar uma ducha com sabonete, e para chegar à piscina lavamos os pés em água corrente novamente.

Lá dentro, professores de natação  atuam como guarda-vidas e certificam o cumprimento das regras. Não pode correr, comer ou mergulhar de cabeça na piscina menor.

Theo se esbaldou e nós passamos a frequentar mais a piscina para fugir do calor:


E quanto pagamos para passar a tarde toda nos divertindo lá dentro? A entrada se dá mediante pagamento de uma tarifa que considero baixa: €3,50 por adulto e €2,00 por criança, sendo que na compra de 10 tickets é concedido um desconto de 20% (e esta é apenas uma dentre outras modalidades de descontos existentes).

Tenho observado esse modelo: uma ampla infraestrutura fornecida pelo setor público, a qual você pode usufruir pagando de acordo com sua renda. Um assunto ainda a ser explorado mais à frente.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Mais um domingo de museu gratuito: Musée du Quai Branly

Como eu havia falado num post lá atrás (Programas gratuitos em Paris), todo primeiro domingo de mês, vários museus da cidade podem ser visitados gratuitamente.

No último domingo, que foi o primeiro do mês de agosto, escolhemos mais um museu para visitarmos. Dessa vez, fomos ao Musée du Quai Branly, que não figura entre os mais badalados, e justamente esse foi um dos motivos que nos encorajou a visitá-lo. No calorão que estava fazendo, não estávamos com energia para gastar muito tempo na fila, muito menos com o Theo.
Além disso, ainda não o conhecíamos e havia visto que sua coleção está voltada para obras e objetod originários das Américas, África, Oceania, Ásia.

Outro fator que muito contribuiu para essa escolha foi seu jardim - que é, de fato, belíssimo - e sua localização: bem ao lado da Torre Eiffel. Na foto abaixo dá para ter uma ideia do quanto o local é privilegiado:

https://www.discoverwalks.com/blog/top-5-things-to-do-at-the-musee-du-quai-branly/

Theo gostou muito do Museu - ele tem uma arquitetura atraente e as coleções chamaram a atenção dele. Acho importante ir apresentando os Museus às crianças. De forma gradual, evitando chegar  a um ponto de saturação. Acho que fomos felizes nesse dia. Ao final da visita, sentamos no jardim para tomar nosso lanche e, em seguida, para fechar com chave de ouro, fomos ao terraço do Museu, que tem uma vista de tirar o fôlego: 


Já estou de olho no primeiro domingo de setembro para visitarmos mais um Museu especial...

sábado, 4 de agosto de 2018

Paris 40 graus!

O mais que aguardado verão chegou! Meio tímido no início, mas depois disse a que veio e as temperaturas começaram a bater os 40 graus!

Foi a chegada de seguidas 'canicules' - ondas de calor muito elevado que se prolongam por vários dias e noites.
O fenômeno tem sido responsável pela  ascensão do mês à terceira colocação na lista dos meses de julho mais quentes desde 1900 (perdendo apenas para os anos de 1983 e 2006).

Não me surpreende.
Quando chegamos, não havia um março tão frio há décadas.
A França não ganhava uma Copa do Mundo há 20 anos!
2018 não está sendo um ano típico...

O calor aqui é diferente do que experimentamos no Brasil: muito seco e com aumento sensível da poluição.

Uma observação importante não pode passar despercebida: nos parquinhos, jardins, às vezes no meio da rua, encontramos fontes de água potável para bebermos, para as crianças eventualmente brincarem. Com a secura do clima, isso é fundamental. Certamente não é uma estrutura barata, mas traz grande acréscimo na qualidade de vida. E tem um papel social significativo: as pessoas que moram nas ruas têm esse importante direito vital garantido. Fiquei me perguntando como essas pessoas se hidratam no Brasil... Não me lembro de ver algo parecido com esse tipo de estrutura no nosso país.

A prefeitura monta, ademais, uma verdadeira estratégia para atacar a questão da poluição, acentuada pelas temperaturas elevadas: diminuição compulsória da velocidade dos veículos, estacionamento residencial gratuito, rodízio de carros, descontos no transporte público. Alem de realizar diversas campanhas para chamar a atenção da população quanto à necessidade de se hidratar.

E, assim, dá pra afirmar que, apesar de uma noite ou outra mal dormida devido ao calor, temos procurado aproveitar os lindos dias de sol (com o devido cuidado), como é possível observar nessa foto abaixo, de um dos mais lindos ângulos da Catedral de Notre Dame, envolta pelo exuberante azul do céu e das águas do Rio Sena:


Como não tem praia, vamos também curtindo as alternativas que a cidade oferece para o verão, enquanto o inverno não chega... Pode-se dizer que o clima é efervescente. Muita programação cultural e opções para explorar: Piscinas Públicas; Paris Plages e Baignades. Cada uma merecerá um post específico! 

domingo, 29 de julho de 2018

Lugares mágicos: Les Jardins du Ruisseau

Em Paris há alguns lugares mágicos que não são captados no nosso radar quando estamos a turismo. São uns cantinhos escondidos, e que quando você descobre, o encantamento é automático.

Isso aconteceu conosco quando visitamos "Les Jardins du Ruisseau", no 18ème, pertinho de Montmartre. Ali fomos porque teria um evento dedicado à leitura de textos por autores que quisessem expor ideias e sentimentos. Um amigo do Heberti havia convidado, decidimos ir lá ver. Sabíamos que se tratava de um jardim feito pelos próprios habitantes do bairro, mas não tínhamos mais detalhes.

Ao chegarmos, a atmosfera não podia ser mais agradável com suas boas-vindas:


Descobrimos mais tarde que essa história havia se iniciado há 20 anos. Quando alguns moradores do bairro tomaram a iniciativa de revitalizar uma linha de ferro desativada, com um galpão de fábrica abandonado em anexo. Ambos, então, foram transformados em um jardim pedagógico compartilhado - como eles mesmos se definem -, um espaço para convivência intergeracional e intercultural:

Parte do jardim,vista da pista de cima 

Era possível ver pessoas cuidando das plantas, super simpáticas e que mostravam orgulho do trabalho empreendido. Ao longo de toda a área, mesinhas montadas, a grande parte ocupada por pessoas lendo, conversando, pensando, fazendo piquenique. Traços marcantes do francês ficavam ali mais evidenciados: a participação, a contemplação e o envolvimento. 


Tudo muito bem cuidado, especialmente com carinho. Theo adorou a oportunidade de andar por uma linha de trem: 


E nós voltamos para casa embriagamos pela poesia que jorrava ali bem na nossa frente, de modo informal e convidadivo:


Impossível não carregar, não querer espalhar mais essas sementinhas de inspiração!

terça-feira, 24 de julho de 2018

Des livres et Bibliothèques

Paris é uma cidade que nos convida à leitura. E muito!

Livraria tem aos montes. Uma mais charmosa que a outra. Livros são muito acessíveis em termos de preço e da gama de ofertas. Feiras de livros também ocorrem com endereço e horário marcado. E ainda têm os "bouquinistes", livreiros que enfeitam as margens do Rio Sena com muita cultura: livros, manuscritos, revistas antigas, cartas raras:

Theo vendo os "bouquinistes" às margens do Rio Sena.

Nos parques e jardins, no metrô, a quantidade de leitores continua expressiva.
Iniciativas locais também fazem parte dessa atmosfera. Ao caminhar pelas ruas, nos deparamos com essa "caixa de livros", bem na entrada de um parque:


Quem quiser, basta trazer um livro e trocar por outro disponível na caixa. Bem livremente, sem ninguém ali tomando conta ou fazendo registro dos empréstimos. Na escola do Theo tem uma semelhante, para as crianças trocarem.
Temos curtido esse clima.
Em casa, nós três gostamos de ler, cada um com seu estilo e ritmo.
Desde pequeno, procuramos aproximar Theo dos livros. Sempre lemos estórias para ele, e em Petrópolis íamos com frequência a uma livraria perto de casa para a "hora do conto". Ele também tinha inscrição em duas bibliotecas próximas - do Museu Imperial, e a Biblioteca Central Municipal Gabriela Mistral  -  onde íamos quase toda semana pegar livros.
Ele aprende não apenas com as estórias, mas também a cuidar dos livros, que viram bons amigos, tanto quanto os atendentes das bibliotecas, sempre tão atenciosos.

Ao chegarmos aqui em Paris, pensei logo em procurar uma biblioteca para continuar cultivando esse hábito.
Pouco após o início da adaptação na escola, a mãe de um coleguinha me indicou a biblioteca mais próxima: a Médiathèque Hélène Berr (além de livros, oferece diferentes mídias ao público).
Ao visitarmos a biblioteca, ficamos de frente a mais uma daquelas situações de deixar o queixo caído.
Simplesmente era um prédio de 06 andares. Fizemos carteirinha na hora, em 5 minutos: bastou preencher um formulário e imediatamente cada um de nós estava apto a pegar até 20 livros emprestados, em qualquer biblioteca municipal da cidade: são 57 bibliotecas gerais, além de outras 15 especializadas espalhadas pela cidade! Adultos e crianças vão se dirigindo aos guichês automatizados de empréstimo, com suas pilhas de livros, que são então colocados em sacolas, para degustação por até 3 semanas, período que pode ser renovado online.

Deu para entender o porquê do "queixo caído" agora?
São mais algumas sementes que procurarei carregar comigo de volta...